Se formos mais atentos, poderemos ver o início de movimentações que vêm do
núcleo de uma classe média, que é minoria no Brasil. Minoria essa que vem
sistematicamente nos últimos 10 anos vendo suas demandas serem tripudiadas pelo
Estado Brasileiro, pelo Congresso Nacional, pelas Assembleias Estaduais e
Câmaras Municipais, além é claro, dos poderes executivos em todas as suas
esferas.
Não quero aqui falar apenas das manifestações de estudantes contra o aumento de
passagem de ônibus na capital paulista de R$3,00 para R$ 3,20, que acho fraca
no seu argumento econômico e se fragiliza ainda mais quando uma massa de jovens
politicamente despreparados (mesmo porque a política não entusiasma as novas
gerações por ter o estigma da corrupção e inoperância) se tornam massa de
manobra de Presidente de Sindicatos e radicais de partidos “travestidos” de
estudantes apartidários. Quero falar sobre outras manifestações como a que está
sendo preparada, e da qual participarei, como o Dia D no Parque do Povo contra
a violência na Capital, ou outras como a que questionada a gastança na Copa do
Mundo, Contra a elevada carga tributária, agora manipulada pelo governo para
não mostrar nas notas fiscais o quanto o brasileiro “dá” de graça para uma
corja de corruptos, ou ainda contra os arrastões em restaurantes, encabeçados
por cozinheiros e donos de bares e restaurantes de São Paulo.
Portanto, avaliarmos somente o movimento dos R$ 3,20 seria pouco. A questão que
não cala é: Por que de repente está havendo a adesão e a simpatia de tanta
gente? Será que realmente o Brasil acordou?
Pois bem, creio que sim. Creio que essa classe média acordou. E aqui não se
trata da classe média do Sr. Lula e da Dna Dilma, a nossa “presidenta”, que
assim são considerados pelo IBGE, quando se têm uma renda familiar de
aproximadamente U$ 2.000,00. Falo da classe média que empurra qualquer processo
de desenvolvimento em qualquer parte do planeta, inclusive na China Comunista,
e hoje, no Brasil representa o profissional liberal, o empreendedor, o pequeno
comerciante, o industrial e os empregados que são supervisores, gerentes,
líderes e diretores de pequena, média e grande empresa nacional ou
multinacional, das empresas familiares ou multinacionais.
Aqui não estão incluídos os da Classe A, nem A+. Os mega empresários, os
presidentes de empresas que recebem bônus de milhões por ano, os políticos
honestos e os que herdaram heranças que vêm desde as Capitanias Hereditárias.
Ressalto aqui para não imaginarem que tenho algo contra eles, muito pelo
contrário. Muitos deles, ou melhor, a grande maioria tem a minha admiração,
pelo grau de empreendedorismo, criatividade, responsabilidade social e pela
luta dura na manutenção e crescimento de seus negócios, e pela capacidade
assumir riscos e ao mesmo tempo empregar milhares de pessoas pagando os
impostos mais altos do planeta. Esses, não estão no cerne da questão, nesse
momento, apesar de sofrerem todos os impactos que mencionarei a seguir.
Se observarmos mais atentamente, a começar da manifestação proposta do “Dia D
contra a violência” e até a grande maioria do grupo dos R$3,20, vemos que é uma
movimentação da classe média. Não é um movimento da classe sofrida da
periferia, mas de pessoas que vivem em boas casas, em bairros nobres da
capital, frequentam bons restaurantes, estudam em escolas particulares não
andam de ônibus e metrô.
Na verdade, é uma minoria que vota e não é representada pelo processo político
há bastante tempo, “como nunca se viu neste país”. É uma minoria sim, que
esclarecida, discute os problemas do país, das cidades e não são ouvidas porque
a maioria das que se contentam com esmolas assistencialistas, não dá a menor
chance de voz, e passam como um arrastão eleitoral patrocinado por um sistema
político estúpido, corrupto e que nos obriga a votar em políticos por falta de
opção. Chega a ser patético a discussão de temas de forma tão primária, e não
poderia ser diferente, pois o que predomina são as táticas de uma meia dúzia de
marqueteiros que ganham milhões de dólares, alguns deles depositados em contas
estranhas no exterior. Esses mudam de partido freguês, conforme o solicitante
da vez. Quem faz campanha para o Maluf, ora faz para o Serra, depois passa para
o Lula, para Dilma e assim por diante.
Usando técnicas de marketing e comunicação subjetivas com um aparato de
ferramentas de comunicação baseadas em Programação Neolinguística, em
comunicação emocional e linguagem hipnótica são capazes de conduzir massas
gigantescas de pessoas com recursos tecnológicos, baseados em modelos como até
Hitler o fez conduzindo milhões de alemães a apoiar suas atrocidades.
Esse Brasil que acorda é a classe média que se levanta contra o “establishment”
que não muda uma vírgula nas leis penais, contra os sindicatos que “mamam” dos
trabalhadores formais, contra uma carga tributária descomunal, com o ridículo retorno
dos impostos pagos, da obrigatoriedade do voto de cabresto e corrupto, da falta
de um voto distrital, de uma violência que lhe rouba dentro de casa, em prédios
de apartamentos, nos arrastões na praia ou nos restaurantes e bares, da polícia
corrupta, dos desembargadores comprados, da justiça lerda que tarda e falha,
dos esquartejadores que saem depois de cumprir 1/6 da pena, da burocracia para
se abrir e fechar uma empresa, da inflação de 10, 15% ao ano nos serviços e
produtos que essa classe média paga, o buraco na rua que estoura seu carro e
você não tem para quem reclamar, os congestionamentos imensos por ineficiência
de “tecnóides” públicos que planejam o trânsito nos seus gabinetes e sequer
colocam placas de transito para orientar o motoristas em auto pistas, os
buracos nas estradas, pela falta de acostamento, por uma via Dutra que é igual
há 30 anos atrás para servir o norte e sul entre as duas maiores megalópoles do
Brasil, pelas mortes da TAM em aeroportos que parecem rodoviárias e por controladores
de vôo que não falam inglês, por buracos negros nos vôos que não são cuidados,
colocando a vida das pessoas em risco sobre a Amazônia, os banqueiros que tem o
maior spread do mundo, contra um IOF que “tunga” sem você se dar conta toda vez
que precisa de um empréstimo para se socorrer ou investir sob risco no seu
negócio, da ineficácia e corrupção envolvendo fiscais corruptos e donos de
baladas, verdadeiras arapucas que queimam centenas de jovens quando apenas
querem se divertir, de embaixadas brasileiras que compram palácios em Roma e
outras na África que precisam de dinheiro do bolso do diplomata para comprar
lâmpadas, de professores e cientistas que não tem equipamento básico como
cadeiras e lâmpadas nos seus centros de pesquisa, pelo descaso com a educação
que disponibiliza milhões de jovens por ano saindo de seus cursos
universitários sem saber escrever bem, sem interpretar um texto, que são
treinados para serem empregados em vez de empreendedores, contra a falta de
apoio à projetos de gente inteligente e criativa que encontra soluções para o
país como o caso da seca no nordeste e querem cobrar propina para tirar o
sofrimento de nordestinos com a falta de água, e por aí vai a interminável
lista de descasos.
Eu que lhe escrevo, tenho 57 anos e nunca participei de partido político, de
sindicatos ou da UNE. Eu não aguentaria!
Quando tomei consciência de vida, já tinha medo de “militares”, pois vivi a
maior parte da minha juventude dentro do regime militar. Uma ditadura que os da
geração Y, nem sabem do que se trata, afinal, mal sabem qual é a capital de
Santa Catarina ou de Sergipe. Tenho esperança que o futuro seja melhor, mas não
para mim. Aos 57 anos quero ir embora de São Paulo como a grande maioria e acho
que a cada dia o Brasil está mais chato. Já tinha medo de circular nas ruas,
agora temo os vândalos infiltrados em passeatas pacíficas travestidos de
“manifestantes”. Era mais essa que faltava!
Por essas e outras, parece que o Brasil está acordando. Que me perdoem os
trotskistas de plantão, por sinal vocês estão demodê, os movimentos da classe
média sempre surtiram mais efeitos, uma vez que há um maior grau de consciência
e informação, essa privada das classes menos favorecidas, pois afinal, é mais
fácil de serem manipuladas por governos populistas e pelos marqueteiros de
plantão.
Nesse momento, não queria estar na pele desses governantes e políticos, pois a
situação pode ser muito difícil de controlar. Terão que ter uma enorme
habilidade que já estão demonstrando que não possuem. O grito das pessoas vem
do fundo da alma e estão irresponsavelmente, brincando com massas que podem
perder o controle. Sequer temos polícia capacitada para lidar com essas
manifestações. Afinal sempre fomos o país da paz e raramente fomos para a rua.
Teremos que lidar com uma nova realidade, e todos nós vamos ter que aprender
neste novo estágio.
Tudo o que estamos vendo não passa de um grito contra a falta de ética e
inversão de valores de uma sociedade doente que precisa de um alento e de
muitos exemplos dos poderes constituídos.
Peço à Deus que nos ilumine e que os sensatos tenham a não violência, o amor e
a tolerância como armas desse processo de mudança, processo esse que poderá
transformar este aglomerado de pessoas individualistas que nos tornamos, em uma
Nação da qual realmente podemos sentir orgulho e sentido de pertença.
Emerson A Ciociorowski